Pois fomos pra Liverpool numa manhã de sábado. Tava um vento muito forte, então imaginem a delícia que foi o vôo. Como a viagem é rápida, o avião não pega muita altitude. Foram 30 minutos de muita turbulência e pavorzinhos. Mas chegamos! Encontramos a o trio ternura (Miriam, Marli e tia Beth) no hotel que elas estavam hospedadas. Nós ficamos num hostel perto, International Inn, pra quem interessar - recomendamos! De lá fomos para o Museu dos Beatles, que vale a pena também.
Depois fomos na Mathew Street, rua badaladinha de Liverpool onde fica o The Cavern, o pub que os Beatles faziam show.
Depois de darmos umas voltas, nos despedimos da mulherada na estação de trem e fomos em busca de um pub para afogar as mágoas. Depois de muito percorrer a Mathew Street, caímos num Irish Pub - ó, que diferente! Mas não adianta, nos sentimos em casa. :) E sério, a geração LSD Beatles é mucho loca! Lá tivemos um aprendizado de como se divertir depois dos 40, bebendo, mas bebendo mesmo, com vontade. Vimos várias tias já mais pra lá do que pra cá. Pior que na Irlanda, ever. Uma chegou até a levantar a blusa mostrando o sutiã - a amiga ainda me olhou e disse que ela tinha pagado uma fortuna. Tudo influência dos Beatles! hahaha. Mas sério, tentarei me inspirar neles no auge dos meus 40, mas sem a parte de mostrar o sutiã. :)
Segundo dia acordamos cedo e fomos pro estádio do Liverpool. Aquela coisa né, vestiários, sala de imprensa, campo e blablablá. Mas gostei mesmo de ouvir os guias falando que o Lucas (que jogava no Grêmio) era disciplinado, e que todos os jogadores deveriam se inspirar nele. Escola tricolor é isso, gera exemplos.
De lá fomos num centro de informaçoões turísticas pra comprarmos o ticket pra um ônibus que levava nos lugares dos Beatles. Era 16 libras, se não me engano, e a mulher do balcão foi muito grossa com a gente. Desistimos do passeio, mas daí do nada uma mulher de Amsterdã me cutuca e pergunta se a gente não queria rachar um táxi com ela e com o marido que fazia esse mesmo passeio. Sairia 10 libras pra cada um. Aceitamos, meio assim, com medinho, mas fomos. O táxi é muito legal. O motorista vai contando toda a história dos Beatles, as casas que eles moraram, mostrou os lugares que Paul e John se inspiraram pra fazer as letras. Enfim, valeu muito mais a pena do que o ônibus. A gente parava nos lugares, ouvia a história, tirava fotos, enquanto o ônibus só passava reto.
Casa do Ringo
Casa do Paul
Casa do John
Casa do George
Lugar onde Paul e John se encontraram pela 1a vez.
Nem parece verdade. Mesmo olhando as fotos, os vídeos, é difícil acreditar que estávamos ali, aos pés do Big Ben, assistindo a queima de fogos em Londres. Os fogos que, no fundo, eram o de menos. O que mais me impressionava era o simples fato de estar ali, de ter ajeitado tudo e poder estar ali. Ano passado, quando a rotina trabalho-faculdade-trabalho tava me esgotando, fiz um trato comigo mesmo: um ano de sacrifício, um ano de recompensa. 2012 é a recompensa e, como vocês podem ver, não podia ter começado melhor.
A viagem teve um início desanimador. Primeiro, um embarque completamente desorganizado na rodoviária de Dublin. Tinham três ônibus indo a Londres, e acabou que eu e a Ana ficamos em um e o casal vinte Luan e Aline em outro. O nosso era direto, o deles pinga, significando que, supostamente, estávamos em melhor situação. As aparências enganam. Ônibus lotado, sentamos separados: a Ana mais pra frente, eu na última fileira - onde tem cinco bancos (não tem banheiro!) -, entre um casal e e um véio mais irlandês impossível. Além de espaçoso, o tiozinho ainda era amante de alho. Foi pão com alho, salgadinho com alho e a perspectiva de passar horas naquele ônibus me atormentando. As coisas começaram a melhorar quando o ônibus embarcou na "balsa" na qual atravessaríamos o Irish Sea. O troço era um cruzeiro! Bem armados de vinho, tivemos três horas de paz. Chegando em Hollyhead, no País de Gales, embarcamos novamente no ônibus, e lá tava o maldito véio comendo um pão com alho, já que provavelmente as três horas na balsa não foram suficientes pra isso. Andamos bem pouquinho até o posto da imigração, onde conversei com o motorista do ônibus do Luan e trocamos de veículo. Ainda na última fileira, onde a bosta do banco não deita, pelo menos sentamos um do lado do outro e, melhor ainda, a Ana não fede a alho. Como era pinga, aos poucos o ônibus foi esvaziando e conseguimos deitar cada um em um par de bancos e descansar um pouco pro nosso primeiro dia em Londres.
Acabou que chegamos na hora que era pra chegar com o ônibus direto, e depois de sair da rodoviária, lá fomos nós procurar o hostel. Depois de andar sem noção de onde ir, aceitamos a facada e compramos um mapa da gigantesca capital inglesa e achamos nosso albergue. Lugarzinho bacana, limpo e com café da manhã incluso (único hostel que não triplicou a diária na época do Ano Novo), nada a reclamar. Inclusive recomendo: Barkston Youth Hostel, perto do metrô e duns "pubzinhos" (inglês só acha que sabe o que é pub, ou, mais provável, a turistada aqui é que não sabia bem onde encontrar um legítimo pub).
Fizemos nossas turistadas, indo onde todo mundo vai e essas coisas. Como não lembro da ordem do que visitamos, não vou me aprofundar. Mas quatro dias em Londres é o mínimo pra se conseguir ver quase tudo. Dia 31, um pouco antes das 20h, saímos do hostel rumo ao centro, na tentativa de achar um lugar razoável pra assistir aos fogos. Apesar da montoeira de gente, ficamos bem posicionados e deu pra ver tudo. Também, com a quantidade e grandiosidade dos fogos, era difícil não ver. Assim entramos 2012, ano que tanto promete. Melhor, só a queima de fogos do tio Jorge em Capão Novo.
Sempre que eu viajo, a perspectiva de voltar à rotina de lavar pratos em Dublin me incomoda, mas dessa vez o retorno foi facilitado pela visita dos fabicanos Bruna e Ricardo, que chegaram aqui um dia depois que voltamos de Londres. Foi bom ver uns rostos familiares. Isso que, sexta-feira agora, dia 13, desembarca aqui em Dublin a dona Miriam, também conhecida como minha mãe, acompanhada da Lili e da tia Bete. Quero só ver esse trio nas Europa! Amanhã nos despedimos da Bruna e do Ricardo, que vão seguir com seu mochilão, e nos preparamos pra recepcionar as novas viajantes. No outro final de semana vamos a Liverpool com as três, apreciar a terra dos Beatles. E, mais pro fim, ainda tem show dos Dubliners (o qual terei que invadir - os ingressos já estão esgotados...) e, no começo de fevereiro, Dropkick Murphys (esse com ingresso já comprado!).
Natal em Dublin é tão Natal. Em novembro, as ruas já estavam cheias de luzinhas, árvores espalhadas pela cidade e pubs enfeitados. A rua mais bonita que vi foi a Grafton St., o Arthur achou a Henry St.
Brazen Head Pub
Henry st.
Feliz Natal em gaélico (by Chico Maia)
Docklands (by Chico Maia)
Dublin em gaélico (by Chico Maia)
O'Connell St. (by Chico Maia)
Grafton St.
Antes do Natal fui na apresentação da creche de uma das crianças que cuido (e caiu neve nesse dia de manhã!). Na sexta do dia 23 jantamos com meus chefes e a família deles. Foi muito legal partilhar esse momento com uma família irish!
No dia 24 tivemos o Natal com os amigos aqui de Dublin numa ceia com entradas, pratos principais - incluíndo pratos tradicionais de outros países -, torta, cupcakes e chocolates e, claro, regada a cerveja e a minha cidra. :)
Meus cupcakes lindos.
Neve só em adesivo mesmo...
Entradas
Dorival
Cheia de presentes!
Ceia
Outra coisa que não faltou foi skype para falar com a família! E que saudade que dá essas horas... Que o Natal de todos tenha sido ótimo!
Faz tempo que não escrevo nada aqui... mas vamos lá, tenho certeza que vocês estão sedentos por informações. Ultimamente o tempo tem sido de mudanças. Primeiro, a mudança de apartamento: me mudei no início dessa semana pra um novo flat. Continuo na Old Town, pertinho de onde eu morava antes, uns 3 minutos a pé. É na mesma rua que o Rodrigo mora. Casa boa, to dividindo com um cara de Manchester e um da Lituânia. Como todo mundo trabalha, nem deu muito tempo de conhecer a galera, mas aparentemente são bem tranquilos. (O inglês torce pro City e ouve Hansons no quarto...). Vai ser excelente pra prática do inglês, mas foi ruim sair do meu ex-flat... já tava em casa lá. Saímos por uma questão financeira. Mas, enfim, a casa aqui também é boa, o quarto é só meu, divido com menos gente... é só me acostumar.
Outra mudança, essa mais desagradável, foi a volta do Rafa pro Brasil. É uma despedida estranha... nos acostumamos a conviver diariamente com a pessoa e daí tchau, see you when I see you. Mas já deixamos pro 20 de setembro de 2012 o reencontro - churrasco farroupilha. Lá tomaremos uma Polar gelada e lembraremos o FIASCO DA GRAFTON STREET. Mas despedidas aqui são comuns, algo mais que temos nos acostumar.
Estamos a 5 meses e meio aqui em Dublin. Se os planos forem mantidos e realmente passarmos o último mês viajando, metade do nosso tempo na Irlanda já passou... e parece que passa cada vez mais rápido. Em duas semanas já é Natal, aí vem o Ano Novo, visitas fabicanas, visitas familiares, passou janeiro, em seguida os Neri chegam e quando a gente perceber já estaremos nos banhando nas cristalinas águas do Mediterrâneo, já programando o retorno pras barrentas águas de Capão Novo. Então que aproveitemos essa bela cidade, que tanto tem a nos oferecer.
Nunca mais falei do meu trabalho aqui né. Pra quem não sabe, trabalho como babá de três crianças. Na verdade são duas nos dias de semana, porque o menor fica na creche o dia todo. Os pais trabalham de manhã e só chegam lá pelas seis - a mãe é contadora e o pai, publicitário.
Trabalho de segunda a quinta, das 13h até as crianças dormirem, lá pelas 19h. Os três vão pra creche de manhã e eu tenho que ficar à tarde com os dois mais velhos - o Charlie, de 4, e o Matthew, de 2 e 3/4 (como eles falam). São umas figuras!
Acabo tendo uma rotina durante a semana, mas claro que as brincadeiras sempre mudam. Chego da creche, dou um snack e depois vem as brincadeiras. O que eles mais gostam de brincar é de mommy and daddy. É aquela velha história que eu sou a mãe, o Matthew é o pai e o Charlie é o bebê, e daí fica aquela coisa parecida com brincadeira de casinha. Às vezes fica mais "emocionante" quando eu sou a mãe do Ben10 - o Charlie é o Ben10 e o Matthew o cachorro ou o vô? Sei lá, é alguém. Mas claro que o Charlie sempre fica com o melhor. hahaha. Daí além da brincadeira de casinha, matamos váários monstros! (detalhe que eles nunca assistiram Ben10, só sabem pelo que os coleguinhas na creche falam.)
Outra coisa que eles me pedem muito pra fazer é ler livros. Nunca vi crianças que gostam tanto de livros. Eles têm vários, e toda a noite pedem pra ler uma história antes de dormir. Pra mim é ótimo porque acabo aprendendo novas palavras e até pronúncia, já que as figurinhas adoram me corrigir! "No, Ana, it's not like that..." ou "You mean....". Sendo alfabetizada por uma criança de 4 anos, aê!
Nos dias de sol, quando não tem nenhuma nuvenzinha no céu, levo eles pra pracinha que tem perto de casa. Dá uns 15 minutos de casa. Às vezes também vamos no laguinho, que é mais uns 15 minutos dessa pracinha, dar pão pros patos e pros cisnes. Só vou nos dias que não tem uma nuvem no céu porque aqui é muito comum ter sol e meia hora depois começar a chover. E daí quem vai se ralar pegando chuva sou eu! (Todos os carrinhos de bebê aqui têm uma capa de plástico que protege da chuva e do vento.
Dou banho neles um dia sim e um não. E não é porque quero, mas os pais não acham necessário dar banho neles todos os dias. O bom é que eles adoram tomar banho, e se eu deixo, eles ficam horas. Coloco o pijaminha nos dois e espero os pais chegarem com o Louis. Daí começamos a preparar a janta e depois é cama!
Uma das novidades agora é que o do meio tá começando a ir no pinico. Mas é toda uma função. Tem que ler a histórinha de ir ao pinico, pegar o ursinho e colocar no pinico do lado dele e fazer ele contar a historinha pro Teddy. hahah. Um amor. Quando ele conseguiu fazer xixi e cocô no pinico foi uma festa! A mãe ficou muito feliz e o Charlie ficava pulando de alegria. A mulher chegou até a ligar pro marido e o Matthew falou: "I did a poop and a pee in the potty". Uma figura!
Além de cuidar das cria, ainda tenho que lavar as roupas deles na segunda, passar na terça e de duas em duas semanas dar uma limpada por cima no quarto deles, no playroom e na cozinha. Nesses dias coloco um dvd básico pra eles assistirem - agora eles tão numa de ver só Irmão Urso 2.
Ah, nos finais de semana ainda tenho que fazer babysitting. Daí normalmente às19h de sexta ou de sábado tenho que estar na casa e, no dia seguinte, me acordar às 7h da manhã pra arrumar eles e dar café da manhã.